Rebanho

Ergueram cercas sem usar arame,
Fizeram delas leis, papéis e nomes.
Disseram que era para nossa segurança,
Mas toda nova regra custava um pedaço da esperança.

Ensinaram a abaixar a cabeça,
A confiar sem perguntar,
A entregar cada escolha em troca da promessa
De que alguém saberia melhor como governar.

Contam nossos passos, medem nossos atos,
Pesam nossos sonhos em balanças de gabinete.
Somos chamados de cidadãos,
Mas muitas vezes tratados como números em um relatório.

Quanto maior o poder, menor parece a distância
Entre a ordem e o controle.
Chamam de proteção aquilo que limita,
Chamam de cuidado aquilo que vigia.

Não nasci para viver em um curral invisível,
Onde a liberdade depende de autorização,
Onde o medo veste uniforme
E a obediência recebe aplausos.

O Estado deveria servir ao povo,
Não ensinar o povo a servir ao Estado.
A autoridade existe para proteger direitos,
Não para substituir a consciência de cada indivíduo.

Porque uma nação forte não nasce de pessoas obedientes,
Mas de pessoas livres para pensar, discordar e construir.
Nenhum governo deveria temer perguntas,
Assim como nenhum cidadão deveria temer respondê-las.

Não somos rebanho seguindo o som do sino,
Nem peças movidas por mãos distantes.
Somos vozes, escolhas e responsabilidade.
Enquanto houver quem questione,
Ainda existirá liberdade caminhando entre nós.

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